Eu tinha acabado de dar à luz, mas entregaram-me logo de imediato os papéis do divórcio.

Eu tinha acabado de dar à luz, mas a minha sogra e a amante do meu marido entregaram-me os papéis do divórcio — achavam que eu era pobre, mas ficaram em choque quando os diretores do hospital chegaram e se inclinaram diante de mim: “Minha senhora, o helicóptero está pronto.”

O meu nome é Celine. Eu e o meu marido, Jason, tínhamos acabado de ter o nosso primeiro filho. Eu estava deitada na cama do hospital, completamente exausta, a segurar o nosso bebé — o bebé CJ. Achei que aquele seria o dia mais feliz da minha vida. Achei que o Jason ia entrar com flores e balões.

Mas a porta abriu-se. O Jason entrou. Não trazia flores nenhumas. Atrás dele vinha a minha sogra, Doña Miranda, que sempre me olhou de alto a baixo. E, ainda mais chocante, a Tiffany estava com eles. A ex-namorada do Jason, com quem a Doña Miranda me comparava sempre, porque ela era uma “menina rica”, enquanto eu era apenas uma “rapariga pobre” da província.

“Jason?”, perguntei, com voz fraca. “Porque é que eles estão contigo? Onde estão as tuas flores?”
O Jason não respondeu. Limitou-se a baixar a cabeça. A Doña Miranda avançou. Atirou um envelope castanho para cima da minha cama, quase acertando no bebé.

“Flores não há, Celine”, disse a minha sogra, friamente. “O que trouxemos foram papéis do divórcio.”

(No contexto filipino, seria anulação, mas eles chamaram-lhe ‘divórcio’ por causa da suposta riqueza.)

“O quê?!” Apertei o meu bebé com força. “Mãe, eu acabei de dar à luz! Jason, o que é que isto significa?!”

O Jason finalmente falou, mas não conseguia olhar para mim. “Desculpa, Celine. Já não aguento mais. Tu és demasiado… pobre. Não encaixas no nosso estilo de vida. A Tiffany vai ajudar-me a fazer o negócio crescer. Tu? Tu és só um peso.”

A Tiffany riu-se e agarrou-se ao braço do Jason. “Desculpa, querida. Estás a ver… o Jason precisa de uma esposa-troféu, não de uma dona de casa que cheira a leite. Não te preocupes, nós adoptamos o bebé. Vamos criá-lo na mansão.”
Queres saber o que acontece a seguir?

“Nunca levarão o meu filho!” gritei, apesar de as minhas costuras arderem de dor.

“Ah, vamos sim”, respondeu a Doña Miranda. “Não tens emprego. Não tens dinheiro. Não tens família aqui em Manila. Achas mesmo que o tribunal vai dar a custódia a uma mendiga? Assina e sai assim que tiveres alta. Já pagámos a conta do teu quarto. É tudo o que consegues pagar.”

Olhei para os três.

Jason — o homem que eu amava, por quem escondi a minha verdadeira identidade só para viver uma vida simples.

Doña Miranda — que se fazia de rica, mas cuja empresa se estava a afundar em dívidas.

E Tiffany — com todas aquelas malas de marca falsas.

Limpei as lágrimas.

“Tens a certeza disto, Jason?” perguntei, com calma. “Depois de eu assinar, não há volta a dar.”

“Assina lá isso de uma vez! És tão dramática!”, disparou a Tiffany.

Peguei na caneta e assinei os papéis.

“Está bem. Estás livre agora, Jason.”

Entreguei os documentos à Doña Miranda.

“Óptimo”, rosnou a velha, com desprezo. “Agora dá-nos o bebé. Vamos embora. Os seguranças vão acompanhar-te para fora.”

A Tiffany ia a agarrar no meu bebé quando—

TOC. TOC. TOC.

A porta abriu-se.

O Diretor do Hospital, o Dr. Altamirano, entrou — seguido de cinco advogados de fato e gravata e de vários seguranças.

O Jason ficou paralisado.

“Dr. Altamirano?”, disse a Doña Miranda, surpreendida. “Porque é que está aqui? Ah, veio dar-me os parabéns pelo meu novo neto?”

O Diretor ignorou-a.

Caminhou directamente até mim.

Para choque de todos, o Diretor e os advogados inclinaram-se profundamente diante da minha cama.

“Bom dia, Madame Presidente do Conselho”, disse o Diretor, com respeito. “Pedimos desculpa pela perturbação. Soube-se que alguém estava a causar problemas. Quer que chamemos a segurança?”

PRESIDENTE DO CONSELHO?

Os olhos do Jason arregalaram-se.

A Doña Miranda ficou lívida.

A Tiffany deixou cair a mala.

“P-Presidente do Conselho?!” gaguejou o Jason. “Doutor, está enganado! Ela é só a Celine! É só uma rapariga da província!”

Virei-me para eles.

O meu rosto já não estava manchado de lágrimas — era o rosto de uma bilionária.

“Da província?”, sorri. “Sim, sou da província. Mas esqueci-me de mencionar… essa província? Eu sou dona de metade dela.”

“Deixem-me apresentar-me como deve ser”, disse, arranjando o cabelo.

“Eu sou Celine Vandelia, a única herdeira do Grupo Vandelia — a corporação que é dona deste hospital, do banco ao qual vocês devem dinheiro, e do terreno onde a vossa velha mansão está construída.”

“V-Vandelia?!” gritou a Doña Miranda, ficando branca como um fantasma. O Grupo Vandelia era o conglomerado mais rico do país.

“Escondi a minha riqueza porque queria encontrar um homem que me amasse, não pelo meu dinheiro”, disse, enquanto olhava para o Jason, cujos joelhos tremiam. “Achei que eras tu. Mas provaste que o que querias era apenas dinheiro.”

Virei-me para o meu advogado.

“Doutor… perdão, senhor advogado: qual é o estado do empréstimo da família do Jason no nosso banco?”

“Minha senhora”, respondeu o advogado, “está em atraso desde o mês passado. Como não pagaram, podemos executar e tomar posse de todas as propriedades imediatamente.”

“Faça-o”, ordenei. “Recupere a mansão. Retome os carros. Congele todas as contas.”

“Celine! Por favor, não!”, o Jason caiu de joelhos. “Eu sou o teu marido! Nós temos um filho!”

“Ex-marido”, corrigi, apontando para os papéis assinados. “Foste tu que andaste com pressa para isto, lembras-te? Desejo concedido.”

Virei-me para a Tiffany.

“E tu, Tiffany. A tua boutique — não era no Vandelia Mall? Considera o contrato cancelado. Estás proibida de entrar em todas as minhas propriedades.”

“I-Isto não pode estar a acontecer! Eu sou rica!”, chorou a Tiffany.

“Rica em dívidas”, respondi.

“Seguranças”, disse, com calma.
“Levem o lixo para fora. Estão a stressar o meu bebé.”

“Celine! Filha! Perdoa a mamã!”, gritou a Doña Miranda, enquanto os seguranças a arrastavam. “Estávamos a brincar! Nós amamos-te!”

“Mamã?”, ergui uma sobrancelha. “Da última vez que falaste comigo, eu era uma mendiga, não era? Pois agora vais aprender o que é tocar no fundo do poço.”

Os três foram levados para fora, a chorar e a implorar.

Só ficaram o meu bebé, o Diretor e os advogados.

“Senhora Celine”, disse o Diretor, “a suite privada no último piso está pronta. O helicóptero está de prevenção, caso deseje ir para a sua ilha privada.”

Sorri e beijei a testa do meu bebé.

“Obrigada, Doutor. Mas vamos ficar aqui por agora. Preciso de descansar.”

Olhei para o meu filho.

“Não te preocupes, bebé CJ. Não precisas de um pai ganancioso. Eu consigo criar-te sozinha. Eu até consigo comprar o mundo inteiro para ti, se for preciso.”

EPÍLOGO

Uma semana depois, soube que o Jason e a Doña Miranda tinham sido expulsos da mansão. Estavam agora a viver num pequeno apartamento. A Tiffany deixou o Jason no instante em que descobriu que ele estava falido.

O Jason agora trabalha como estafeta —
na minha empresa.
Mas não se pode aproximar de mim por causa da ordem de restrição.

Eu?

Estou a viver feliz com o meu filho.

Aprendi que a verdadeira riqueza não se mede em dinheiro, mas em amor.
Mas admito… sabe bem usar o dinheiro para ensinar uma lição a bullies.

A mendiga de antes —
agora é a dona da terra.

Like this post? Please share to your friends: