Numa rua tranquila perto de um jardim, os passantes repararam numa cena estranha: à beira do passeio andava uma pastor alemão agitada. Não estava apenas a ladrar — o seu latido era insistente, angustiado, como se estivesse a tentar chamar por ajuda.

O cão cheirava a tampa metálica, ora ficando imóvel, ora lançando-se de repente para um lado, depois voltando ao mesmo sítio. De vez em quando arranhava a tampa com as patas, saltava para cima dela e depois começava a uivar. A sua inquietação era tão evidente que deixou de parecer um comportamento habitual de um cão de rua.
Os transeuntes, a princípio, não deram muita importância.
— Deve ter encontrado comida — diziam uns.
— Ou sentiu um rato lá em baixo — sugeriam outros.
Mas o cão não desistia. Voltava repetidamente ao alçapão, corria em círculos, ladrava alto e olhava para as pessoas — diretamente, implorando.
Finalmente, um homem não aguentou mais. Aproximou-se, inclinou-se sobre o alçapão e iluminou o interior com uma lanterna. Nesse momento, o seu rosto empalideceu com o que viu. Não esperava encontrar algo assim dentro do alçapão…

— Há um cachorrinho lá dentro… — exalou ele.
Outros aproximaram-se dele. Ao espreitarem para dentro do alçapão, ficaram imóveis. Entre água turva, sujidade e pedaços de lixo, estava um cachorrinho minúsculo. Estava quase sem vida — tremia, choramingava, e uma das suas patas estava torta de forma anormal. A cena era assustadora.
— Ele teria morrido lá dentro… — disse alguém, quase em sussurro.
Alguém desceu cuidadosamente pelo alçapão, retirou o cachorrinho e envolveu-o num casaco. Levaram-no para a clínica veterinária mais próxima.

Só então o pastor alemão se acalmou. Sentou-se ao lado, abanou a cauda, como se tivesse a certeza de que agora estava tudo bem. Já não mostrava sinais de preocupação, nem tentou seguir as pessoas.
— Não é o seu cachorrinho — disse alguém. — Apenas… não conseguiu ignorar.
O cão ficou ainda um pouco junto ao alçapão, depois levantou-se e foi embora — silenciosamente, calmamente, como se tivesse cumprido o seu dever. São mesmo criaturas maravilhosas.