— O que é que queres de mim? Que eu comece a bater na minha mulher, mãe?! Estás completamente fora de ti.
— E o pó continua no mesmo sítio onde estava — a voz de Alla Serguéievna, seca e sem cor, como um herbário do ano passado, cortou o silêncio matinal da cozinha. Passou o dedo indicador pela prateleira superior do armário e depois observou com repugnante curiosidade a mancha escura na ponta. — A dona de casa, pelos vistos, não tem tempo.

Dária não se virou. Continuava a cortar os legumes para a salada de forma metódica, e a faca na sua mão movia-se de maneira uniforme, sem um único erro. O som da lâmina contra a tábua de cortar foi a única resposta que se permitiu dar. O ar na pequena cozinha, já aquecido pelo fogão aceso e pelo cheiro a café, tornara-se denso, pesado, quase se podia beber à colher. Cada visita da sogra transformava o apartamento num campo minado, onde qualquer movimento ou palavra em falso podia levar a uma explosão.
Da sala apareceu Evguéni. Esfregou o rosto ainda sonolento e, ao ver a mãe, esboçou um sorriso forçado.
— Mãe, bom dia. Acabámos de acordar, ainda não tivemos tempo de tratar de tudo.
— O dia nunca começa bem quando a casa está num estado deplorável — cortou Alla Serguéievna, sacudindo o pó imaginário do dedo. O seu olhar de raio-X pousou na frigideira, onde fervilhava algo verde. — Que cozinhado é este agora? Outra vez ervas? Eu já te disse, Jénia, um homem precisa de carne. A força vem da carne, não desta… erva daninha. Olha para ti, estás todo abatido.
Evguéni lançou um olhar suplicante à esposa, mas Dária parecia transformada em estátua, absorvida pelo seu ritual culinário. Apenas apertou com mais força o cabo da faca.
— Nós comemos o que gostamos, Alla Serguéievna — disse ela, sem elevar a voz, mas articulando cada palavra com firmeza. Nesse «nós» havia um desafio. Uma clara marcação de território onde a sogra não fora convidada a entrar.
— Pois é! «Nós»! — aproveitou Alla Serguéievna, virando-se para o filho. Aproximou-se dele como se fosse o réu e ela a procuradora. — Antes gostavas das minhas almôndegas, elogiavas o meu borsch. E agora? Ela meteu-te nas dietas dela, qualquer dia ficas transparente. Está completamente fora de controlo, e tu ainda ficas contente. Onde está a tua firmeza de homem, Jénia? Ela faz de ti o que quer, e tu nem reparas.
Evguéni sentiu a irritação surda a ferver-lhe por dentro. Estava encurralado entre dois fogos, e cada um exigia que ficasse do seu lado. Qualquer tentativa de defender um significava trair o outro.
— Mãe, por favor, chega. Ninguém faz de mim gato sapato. A Dacha cozinha muito bem. Nós simplesmente comemos de maneira diferente, só isso. Melhor diz-me, como tens passado?
Era a sua táctica habitual — mudar de assunto. Uma tentativa patética de levar a conversa para águas seguras. Mas hoje não resultou. Alla Serguéievna olhou para ele com um desapontamento aberto, como se fosse um projecto falhado.
— A minha vida não te interessa. O que te interessa é que ela esteja satisfeita. Que a sua majestade não franza o sobrolho. Olha bem: ela nem uma palavra te diz, cala-se como um boneco de pedra. É assim que mostra o seu desprezo. Por ti, o próprio marido. E por mim também.
Dária pousou a faca na mesa. Com força. Finalmente virou-se, e o seu olhar encontrou o da sogra. Não havia medo nem raiva. Apenas um cansaço frio, infinito.
— Eu não mostro desprezo, Alla Serguéievna. Estou apenas a preparar o pequeno-almoço para o meu marido. Se há algo que não lhe agrada na minha casa, sabe bem onde está a porta.
Alla Serguéievna arfou, mas não de ofensa — de triunfo. Era isso! Aquilo que esperava. Hostilidade aberta. Agora tinha todas as cartas na mão.
— Ouviste, Jénia? Ouviste?! Ela está a expulsar-me da tua casa! A mim! A tua mãe!

Não disse mais nada. Virou-se e marchou para o corredor. Os seus movimentos estavam cheios de dignidade ofendida. Vestia as luvas devagar de propósito, abotoava o casaco uma a uma, toda ela a encenar a mortal afronta que lhe tinham feito.
Evguéni ficou calado no meio da cozinha, sem saber se devia correr atrás da mãe para pedir desculpa ou ficar com a mulher. Não fez nada. A porta fechou-se. Não com estrondo, mas de forma definitiva. Alla Serguéievna partira, mas a sua presença venenosa continuava a pairar no ar. Partira com uma resolução fria e férrea: isto não podia ficar assim. Tinha de se fazer alguma coisa. E ela sabia exactamente o quê.
— Jénia, precisamos de falar.
O seu nome, pronunciado por aquela voz familiar mas tornada estranha, fez Evguéni estremecer. Acabara de sair pela rotação ruidosa da portaria da fábrica, enchendo os pulmões com o ar húmido da noite, cheirando a asfalto arrefecido e pó metálico. À frente estava o caminho para casa, para o jantar, para o silêncio, para Dária. E ali, mesmo à porta, como uma figura sombria, recortada em cartão contra a parede cinzenta de betão, estava ela. A mãe.
Estava vestida de forma nada caseira, com o seu melhor casaco «de sair», um lenço bem apertado na cabeça, que lhe dava um ar severo, quase fanático. Era evidente que o esperava. Andara à espreita. Não era um desejo espontâneo de o ver. Era uma operação planeada.
— Mãe, não comeces — suspirou Evguéni, cansado, sem sequer tentar fingir alegria. Todo o peso de uma longa jornada de trabalho parecia cair-lhe de repente sobre os ombros, esmagando-o contra o chão.
— Não, ouve-me — sibilou ela, dando um passo mais perto e agarrando-o pela manga do casaco de trabalho. A sua mão apertava como a garra de uma ave de rapina. Nervosamente lançou um olhar em redor, para os operários que passavam, atirando-lhes olhares enviesados, indiferentes. — A tua Dária já perdeu toda a vergonha. Faz-me a vida negra. De propósito. Hoje de manhã pôs-me porta fora. A mim!
A sua voz não tremia de ofensa, vibrava de fúria contida. Não era o pranto de uma mulher humilhada, era um grito de guerra.
— Ela não te pôs fora. Ela disse que…
— Eu sei muito bem o que ela disse! — interrompeu Alla Serguéievna. — E sei o que queria dizer! Mostrou quem manda naquela casa. Pisou-te, transformou-te em farrapo. Já não és homem na tua própria casa, és criado dela. Ela decide o que comes, com quem falas. Daqui a pouco até vai mandar quando podes ou não respirar!
Evguéni olhava-a em silêncio. Via o rosto deformado pelo ódio, os lábios cerrados, os olhos a arder com um fogo doentio. Tentava encontrar nesse rosto os traços da mãe que um dia lhe lera histórias e lhe cozera tartes, mas não encontrava. À sua frente estava um estranho, envenenado, obcecado por uma guerra inventada.
— O que é que queres de mim, mãe? Que eu fale com ela? Eu falo.
— Falar? — bufou ela com desdém. — Há dez anos que “falas” com ela! E ela cada vez mais atrevida. As palavras não lhe tocam. Pessoas como ela só entendem uma coisa: força. Força física.
Baixou a voz para um sussurro conspirativo, repugnante, inclinando-se até ao seu ouvido. O ruído da fábrica, o bramir de um camião a passar — tudo recuou. Só as palavras dela se cravavam no seu cérebro.
— Tu és homem, dá-lhe uma lição. Bate-lhe a sério, para ela ficar mansinha. Para ter medo de contrariar. Uma vez, mas em condições. Para perceber qual é o lugar dela. E qual é o lugar da tua mãe.
Evguéni ficou imóvel. O ar estancou-lhe nos pulmões. Fitava-a de olhos bem abertos, e o mundo à volta reduziu-se a um só ponto — o rosto dela. Já não via a portaria, nem a estrada, nem o céu. Só via a fealdade, a ânsia de domínio que lhe fervia nos olhos. Aquilo não era cuidado. Era a sede de humilhar outro ser humano com as suas próprias mãos. Usá-lo como arma. Como punho.

Todo o cansaço desapareceu num instante. No seu lugar surgiu o frio. Um nojo gélido, distante. Lentamente afastou a mão dela da manga do seu casaco, como se sacudisse algo pegajoso e imundo.
— O que é que tu queres de mim? Que eu comece a bater na minha mulher, mãe?! Estás completamente fora de ti?!
Ele recuou dela, como se fosse uma leprosa. Por um momento, o espanto brilhou nos seus olhos, mas logo se apagou, substituído por uma nova onda de ira “justa”. Quis dizer algo, abrir a boca para mais uma dose de veneno, mas ele não lhe deu essa oportunidade…
Ele não disse mais nada. Limitou-se a virar-se e a avançar a passos rápidos e firmes na direção oposta à de casa, apenas para se afastar dela. Deixou-a ali, sozinha, encostada à parede cinzenta da fábrica: uma pequena figura curvada num casaco impecável, devorada pelo próprio ódio que a consumia. Nesse instante, sob o ruído indiferente da cidade, ele compreendeu com absoluta clareza que a sua mãe era-lhe agora uma estranha. Uma figura assustadora. E essa figura acabara de declarar guerra à sua família. E ele teria de aceitá-la.
Evguéni não foi para casa. Seguiu na direção contrária, pelo passeio esburacado, passando por vedações sem fim e paredes cegas da zona industrial. O ritmo mecânico dos seus passos marcava o compasso dentro da cabeça, expulsando tudo, menos o asco. Era um sentimento puro, químico, como o cheiro ácido que corrói o metal. Não sentia ofensa por si mesmo. Sentia repugnância por ela, pelo que se tornara ou, talvez, pelo que sempre fora, e ele apenas não quisera ver. As palavras da mãe não o feriram apenas — foram uma operação sem anestesia, rasgando as suas antigas ilusões de infância e expondo um tumor pútrido onde deveria bater um coração.
Andou durante muito tempo pelas ruas desertas da noite, até que o ar frio lhe gelou os ossos. O chiar de um eléctrico, o uivo distante de uma sirene, a luz mortiça dos candeeiros — tudo era cenário para a derrocada de um mundo inteiro dentro dele. O mundo onde ainda existia a palavra «mãe». Agora essa palavra já não existia. Havia apenas Alla Serguéievna. Uma mulher que lhe propusera ser carrasco da própria esposa.
Quando finalmente introduziu a chave na fechadura, a noite já caíra por completo. O apartamento cheirava a carne frita e a ervas aromáticas. Dária estava na cozinha. Não correu a perguntar-lhe onde estivera nem porque chegava tão tarde. Limitou-se a fitá-lo quando ele entrou. E no seu olhar não havia censura nem preocupação. Apenas uma calma e atenta espera. Ela sabia. Não conhecia os detalhes, mas sentia que algo se partira de forma irreversível naquela noite. Via-o no rosto dele — já não era cansado, nem zangado. Era duro, como se tivesse sido forjado em ferro frio.
— Vais jantar? — perguntou ela com serenidade, indicando a mesa posta com dois pratos. Ele abanou a cabeça em silêncio e sentou-se no banco diante dela. Não a olhava, fixava-se em algum ponto para lá da parede.
— Falei com a mãe — disse por fim, com uma voz tão calma e fria quanto o olhar. — Estava à minha espera à porta da fábrica.
Dária pousou o garfo. Não disse «bem te avisei» nem «o que é que ela queria agora?». Apenas esperou, transformada em ouvido.

— Ela acha que tu me transformaste em trapo — continuou ele no mesmo tom monótono, como se lesse um protocolo. — Que me envenenas com a tua comida e a expulsas da nossa casa. Que a humilhas de propósito.
Fez uma pausa. Escolhia as palavras não para suavizar, mas para transmitir toda a vileza sem distorção.
— Disse que com pessoas como tu as palavras não servem. Que é preciso mostrar força. Sugeriu-me… dar-te uma lição. Para ficares mansinha. Para eu te bater.
Quando terminou, fitou-a diretamente nos olhos. Não procurava compaixão nem apoio. Apenas a informava. Um relatório antes da batalha. Dária não se sobressaltou. O seu rosto não mudou; apenas, por um instante, algo escureceu no fundo dos olhos, como a pedra que cai no fundo de um poço. Os dedos sobre a mesa cerraram-se ligeiramente, esbranquiçando nas articulações. Foi o único movimento.
— Eu sabia que era para aí que isto caminhava — respondeu ela em voz baixa. No seu tom não havia medo. Apenas a amarga confirmação daquilo que há muito intuía, mas não ousava dizer em voz alta. Não era uma revelação. Era a sentença da vida passada deles.
— Isto acabou, Dacha. Acabou de vez — disse Evguéni. E nessa palavra «acabou» não havia tragédia. Havia a constatação nua, como num relatório de autópsia. Ali já não havia vida.
— Ela virá cá — afirmou Dária, com voz baixa mas firme. Não era pergunta. Era certeza.
— Depois disto, não vai sossegar. Virá para acabar o que começou.

— Pois que venha — respondeu ele, e pela primeira vez naquela noite a sua voz ganhou o timbre vivo, de aço. — Mas a conversa será outra.
Levantou-se, aproximou-se da janela e fitou os quadrados negros das janelas do prédio em frente. Já não era o tampão. Já não era o mediador a tentar sentar-se em dois lugares. As cadeiras tinham ardido. Restava apenas cinza.
— Não vamos gritar. Não vamos provar nada. Vamos apenas dar-lhe aquilo que tanto deseja. A resposta definitiva.
Dária aproximou-se em silêncio e colocou-se ao seu lado, ombro com ombro. Ficaram assim alguns minutos, olhando a escuridão. Já não eram apenas marido e mulher a lidar com uma parente difícil. Eram aliados. Dois combatentes no mesmo fosso, que ouviram o ranger das lagartas de um tanque inimigo. E não iam recuar. Não tinham medo. Estavam prontos.
A campainha soou dois dias depois. Não foi um toque estridente nem exigente, mas breve e confiante, como o pressionar de um botão que põe em marcha um mecanismo. Evguéni e Dária trocaram olhares. Nenhum deles estremeceu. Apenas se levantaram — ele da mesa, ela do fogão — e caminharam em silêncio para o hall de entrada. Aquilo não era uma visita. Era a chegada ao campo de batalha.
Evguéni abriu a porta. No limiar estava Alla Serguéievna. Vestia o mesmo casaco austero do dia da portaria, como se nunca o tivesse tirado, preparada para o assalto decisivo. Não cumprimentou. Deu um passo para dentro, como um inspetor que vem para uma inspeção, e o seu olhar cravou-se em Dária, que permanecia atrás do ombro do marido.
— Vejo que conseguiste o que querias — disse Alla Serguéievna, e a sua voz soava firme e gélida como a terra gelada. — Trataste-o de vez. Agora ele olha para ti como um cão olha para a dona.
Ela não viera fazer escândalo. Viera para humilhar, para queimar a terra onde estava de pé o seu inimigo.
Dária avançou, deixando o abrigo das costas de Evguéni. Enfrentou o olhar da sogra sem um traço de medo. O seu rosto tinha a serenidade de um cirurgião prestes a realizar uma amputação difícil, mas necessária.

— Não se «trata» de pessoas, Alla Serguéievna. Tratam-se peças numa fábrica. Ou pessoas como a senhora. Mesquinhas e solitárias, que precisam destruir a vida dos outros para sentirem que ainda estão vivas.
Alla Serguéievna ficou sem fala por um instante. Esperava lágrimas, desculpas, gritos — o arsenal feminino de sempre. Mas deparou-se com um desprezo gélido, clínico. Isso abalou-a.
— Mas como te atreves… — começou, mas a voz falhou-lhe.
— Como me atrevo a quê? — replicou Dária, no mesmo tom implacável. — A dizer a verdade? Veio cá não para se reconciliar. Veio confirmar se o seu plano brilhante resultou. Se o seu filho me «ensinou uma lição». Pois olhe: aqui está ele. E aqui estou eu. Inteira, incólume. A sua encomenda não foi cumprida. O seu filho mostrou ser humano. Que desilusão para si, não é?
Cada palavra era uma punhalada no ponto mais doloroso: o fracasso da sua pretensa omnipotência. Alla Serguéievna virou-se para Evguéni, procurando nele apoio, cumplicidade, um filho.
— Jénia, ouves o que ela está a dizer?! Vais permitir que fale assim com a tua mãe?!
Evguéni deu um passo e colocou-se ao lado da esposa. Não entre elas — ao lado. Um só bloco.
— Sim, Alla Serguéievna, ouço — disse ele. Pela primeira vez chamou-a pelo nome e patronímico, e isso soou como um tiro à queima-roupa, rompendo a última ligação que os unia. — E ela diz a verdade. Não veio cá como mãe, mas como inimiga. Declarou guerra à minha casa e à minha mulher.
— Eu só queria o melhor! Para ti! Queria fazer de ti um homem de verdade, não um submisso!
— Para me transformar em homem, sugeriu que eu batesse numa mulher — articulou Evguéni, seco como aço. — Na mulher que eu amo. Isso não é «o melhor». Isso é o fundo. O fundo moral a que desceu.

O seu olhar não tinha ódio. Tinha compreensão definitiva, fria. Como a de um médico ao ditar um diagnóstico sem esperança.
— Pois saiba, Alla Serguéievna: a batalha acabou, e perdeu. O meu futuro filho ou filha não terá uma avó como a senhora. A minha esposa não terá uma sogra como a senhora. E eu… eu já não tenho mãe. Saia.
A última palavra foi dita em voz baixa, quase inaudível, mas ficou suspensa no ar, pesada e absoluta como uma lápide. Alla Serguéievna olhou ora para ele, ora para Dária. Nos seus olhos já não havia ódio nem fúria. Havia apenas a consciência da derrota total, esmagadora. Perdera não porque eles fossem mais fortes, mas porque a sua arma — o laço de sangue, o dever, a ideia de «mãe» — fora destruída pelas suas próprias mãos. Transformara-a em cinzas.
Voltou-se em silêncio. Os ombros, outrora direitos e orgulhosos, estavam abatidos. Saiu sem mais uma palavra. Evguéni fechou a porta e rodou a chave na fechadura.
O apartamento mergulhou em silêncio. Mas não era silêncio pesado nem cortante. Era o silêncio vazio e estéril de um bloco operatório depois de retirado o supérfluo. Ele e Dária ficaram de pé no hall, sem se olharem. Tinham vencido. Mas não havia alegria. Apenas vazio. E a fria certeza de que uma parte das suas vidas fora amputada para sempre. A guerra terminara. Não havia vencedores.