Todas as noites, o meu marido ia dormir para o quarto da nossa filha. No início, não dei grande importância, mas um dia decidi esconder uma câmara no quarto dela e, quando vi as gravações, quase desmaiei de horror.
Sempre me considerei uma boa mãe. Depois do meu primeiro divórcio, prometi a mim mesma que nunca deixaria ninguém voltar a magoar a minha filha.
A minha vida passou a girar exclusivamente à volta dela, tentando controlar tudo o que pudesse, mesmo que minimamente, afetar o seu bem-estar.

Três anos depois, o Max entrou nas nossas vidas. Era calmo, atencioso e quinze anos mais velho do que eu.
Tratava a Emma com uma ternura e cuidado surpreendentes, como se fosse sua própria filha.
Pela primeira vez em muito tempo, pensei que talvez aquilo fosse mesmo o que significa ter um lar verdadeiro — tranquilo e seguro.
A Emma fez sete anos na primavera passada. Desde pequena, tinha dificuldades em dormir. Muitas vezes acordava a gritar durante a noite, a tremer, e por vezes chegava mesmo a andar enquanto dormia.
Outras vezes ficava sentada na cama a olhar fixamente para o corredor, como se visse alguém ali. Eu atribuía tudo ao passado e estava convencida de que o amor acabaria por resolver tudo com o tempo.
Mas não melhorou.
Passados alguns meses, comecei a reparar em algo estranho. Quase todas as noites, por volta da meia-noite, o Max levantava-se da nossa cama.
Sussurrava sempre a mesma desculpa: que lhe doía as costas e que o sofá seria mais confortável. Eu acreditei… até à noite em que acordei e não o encontrei em lado nenhum.
O sofá estava vazio. A cozinha estava às escuras. A casa estava demasiado silenciosa.
E então reparei num fino feixe de luz por baixo da porta da Emma.
Espreitei. O Max estava deitado ao lado dela, com o braço em volta dos seus ombros, como se estivesse ali há bastante tempo.
— Max? — chamei baixinho.

Ele estremeceu e abriu os olhos.
— Ela teve mais um pesadelo. Só quis ficar com ela — respondeu com calma.
À primeira vista, tudo parecia fazer sentido. Soava a cuidado. A um gesto de alguém preocupado. Mas, por dentro, senti um nó no estômago, como se algo em mim gritasse: “isto está errado”.
No dia seguinte, sem explicar nada a ninguém, comprei uma pequena câmara escondida e instalei-a no quarto da Emma — bem no alto, onde ninguém a repararia.
Alguns dias depois, liguei a gravação. E congelei de terror.
No vídeo, a Emma senta-se de repente na cama.
Os olhos estavam bem abertos, mas o olhar era vazio, como se não estivesse a ver o quarto, mas algo através dele. Os lábios mexiam-se, murmurando palavras na escuridão.
O Max inclinou-se para ela e respondeu em voz baixa, quase sem mover os lábios. Visto de fora, parecia que estavam a falar com uma terceira presença invisível.
Senti um arrepio gelado. Passei a noite inteira a rever aquelas imagens vezes sem conta. De manhã, falei com o Max.

E ouvi a verdade — que não me trouxe alívio nenhum, apenas mais inquietação. Afinal, a Emma vinha a acordar com pesadelos intensos várias noites seguidas, a chorar e sem conseguir voltar a dormir.
O Max apenas se levantava para ficar com ela, para que não se sentisse sozinha nem assustada.
Disse-lhe que aquilo não podia continuar. Mesmo com boas intenções, não era a forma correta de lidar com a situação. Tínhamos de encontrar outra solução.
No dia seguinte, marquei uma consulta para a Emma com um psicólogo infantil. Estava decidida a perceber o que realmente se passava com a minha filha e de onde vinham aqueles terrores noturnos.