Um jovem apresentou-se a um concurso de músicos e decidiu atuar com uma bateria velha e umas baquetas quase partidas. Os jurados e os restantes concorrentes não conseguiram evitar o riso ao vê-lo, mas, poucos instantes depois, ele fez algo que deixou toda a plateia completamente atónita…
Nessa noite, a enorme sala de espetáculos estava cheia até ao último lugar.
No palco decorria um dos programas televisivos de talentos para jovens músicos mais populares do país.

O vencedor receberia quase vinte mil dólares, um contrato profissional e a oportunidade de atuar nos maiores palcos nacionais.
Centenas de espectadores enchiam a sala. Em frente ao palco encontrava-se o painel de jurados, composto por músicos reconhecidos, produtores e professores de conservatórios e academias de música.
Os concorrentes iam entrando em cena um após outro.
Alguns cantavam, outros tocavam guitarra e havia ainda grupos completos a apresentar as suas atuações.
O público ficou particularmente impressionado com uma banda de jovens músicos de jazz que executou uma composição extremamente difícil com uma precisão quase perfeita. No final, receberam uma longa ovação de pé.
Quando o entusiasmo finalmente acalmou, a apresentadora avançou para o centro do palco com um sorriso.
— E agora, recebam o nosso próximo concorrente. Ele preparou uma atuação com instrumentos de percussão.
A assistência esperava ver mais uma bateria moderna e brilhante.
Contudo, poucos segundos depois, ouviram-se murmúrios de surpresa por toda a sala.
Um jovem magro, vestido com roupas gastas e envelhecidas, caminhou lentamente em direção ao palco. À primeira vista, parecia alguém sem abrigo. Mas isso nem era o mais surpreendente.
Atrás dele arrastava uma bateria antiga que parecia ter sido retirada de um ferro-velho.
A tinta estava descascada há muito tempo, algumas partes do revestimento encontravam-se rasgadas e as peças metálicas estavam cobertas de ferrugem.
E quando o rapaz mostrou as suas baquetas, começaram a ouvir-se as primeiras gargalhadas.
As baquetas estavam quase destruídas. Uma apresentava uma enorme fenda de uma ponta à outra; a outra estava torta e visivelmente desgastada.
Um espectador não conseguiu conter-se e desatou a rir. Em poucos segundos, praticamente toda a sala ria. Até alguns concorrentes que aguardavam nos bastidores abanavam a cabeça em sinal de descrença.
A apresentadora esforçou-se por esconder o sorriso.
— Diga-me sinceramente… está mesmo a pensar tocar com isso?
O jovem acenou calmamente com a cabeça.
— Sim.
A apresentadora olhou para a bateria e sorriu com ironia.
— E como espera tirar música de um monte de sucata desses?
A sala voltou a rir.
Um dos jurados acrescentou:
— Acho que este rapaz é muito famoso. Aposto que todos os gatos vadios da cidade já conhecem as músicas dele de cor.
As gargalhadas ecoaram novamente pela sala. Outro jurado decidiu juntar-se à brincadeira:
— Só não se esqueça de alimentar os seus fãs junto aos contentores do lixo depois da atuação.
O público explodiu em risos ainda mais altos.
O jovem permaneceu em silêncio, com os olhos fixos no chão. Parecia que estava prestes a abandonar o palco.
Mas, em vez disso, ergueu a cabeça e disse num tom calmo:
— Por favor… deem-me apenas dois minutos.
A sala começou a ficar em silêncio.
A apresentadora encolheu os ombros.
— Bem, isto é um concurso de talentos. Tem a sua oportunidade.

Nenhuma pessoa naquela sala poderia imaginar o que aquele jovem estava prestes a fazer apenas um minuto depois.
O jovem sentou-se atrás da bateria. Durante alguns segundos, permaneceu completamente imóvel. Depois, ergueu lentamente as baquetas.
Alguém na plateia voltou a rir. E, nesse exato momento, tudo mudou.
A primeira batida ecoou com uma precisão e uma força tão impressionantes que muitos espectadores viraram imediatamente a cabeça em direção ao palco.
Depois veio a segunda. E a terceira.
Em poucos segundos, o jovem começou a executar um ritmo incrivelmente complexo. As suas mãos moviam-se a uma velocidade quase inacreditável.
Batendo na bateria com uma precisão absoluta, fazia parecer que cada movimento tinha sido cuidadosamente planeado com antecedência.
De repente, a velha bateria produziu um som surpreendentemente limpo e cristalino. Aos poucos, a sala foi ficando em silêncio. Ninguém se ria mais.
Todos observavam o palco sem acreditar no que estavam a ouvir.
O jovem interpretava uma composição tão difícil que alguns dos músicos profissionais presentes no júri começaram a trocar olhares de espanto.
Em menos de um minuto, já executava vários ritmos ao mesmo tempo, utilizando cada elemento do conjunto de bateria.
Parecia impossível que sons tão impressionantes pudessem sair de instrumentos que estavam praticamente a desfazer-se.
Quando a atuação terminou, um silêncio absoluto tomou conta da sala. Durante vários segundos, ninguém se mexeu. Depois, toda a plateia se levantou ao mesmo tempo.
Uma enorme ovação explodiu por todo o recinto.
Um dos jurados foi o primeiro a carregar no botão dourado dos finalistas.
Poucos instantes depois, os restantes membros do júri fizeram o mesmo.
O jovem garantiu automaticamente um lugar na final da competição.
Mas a parte mais surpreendente surgiu depois da atuação.
Um dos jurados perguntou:
— Onde é que encontraste essa bateria?
O jovem sorriu.
— Esta foi a minha primeira bateria. Quando eu tinha dez anos, o meu pai construiu-a com peças velhas. Éramos muito pobres e não tínhamos dinheiro para comprar instrumentos verdadeiros.

A sala mergulhou novamente no silêncio.
— Então porque não compraste uma nova?
— Porque o meu pai faleceu há dois anos. Esta bateria é a única coisa que me resta dele. Antes de cada atuação, prometo-lhe que vou tocar de uma forma que o deixaria orgulhoso de mim.
Muitas pessoas na plateia ficaram com lágrimas nos olhos.
Em apenas uma semana, a história do jovem espalhou-se por todo o país.
Um famoso fabricante de instrumentos musicais ofereceu-lhe uma bateria profissional avaliada em vários milhares de dólares.
No entanto, no seu primeiro grande concerto, o jovem voltou a subir ao palco com a mesma velha bateria de sempre.