— Enquanto eu for viva, tu não vais ser a dona desta casa! — declarou a sogra, entrando sem bater.

Maria estava no meio da sala, com uma fita métrica nas mãos, a tentar decidir onde seria melhor colocar a nova cómoda.
O apartamento de Roman era pequeno — dois quartos, cozinha e uma casa de banho conjunta. Mas, para começar a vida em família, era perfeitamente adequado.
O mais importante era terem o seu próprio espaço, onde pudessem criar um verdadeiro lar.
Roman trabalhava até tarde, por isso Maria dedicava todo o tempo livre a organizar a casa. Queria transformar o antigo refúgio de solteiro em algo acolhedor e quente.
Num canto estavam espalhadas meias sujas, no sofá estava um casaco e, sobre a mesa da cozinha, havia loiça por lavar. A rapariga arrumou tudo, limpou o pó e lavou o chão.
— Masha, porque te estás a esforçar tanto? — perguntou Roman à noite, quando chegou a casa. — Ainda falta um mês para o casamento.
— Quero que, depois da lua-de-mel, voltemos para uma casa bonita — Maria ajeitou o cabelo e sorriu. — Não gostas?
— Gosto, claro — o noivo abraçou-a pela cintura. — É só que não estou habituado a tanta ordem.
Eu tinha sempre uma confusão.
Maria riu-se e deu-lhe um beijo na face.
Roman trabalhava como gestor numa empresa de construção e ganhava bem — oitenta e cinco mil por mês. Tinha comprado o apartamento sozinho, três anos antes, com um crédito à habitação de quinze anos.
A prestação mensal era de trinta e dois mil, mas ele conseguia pagar sem dificuldades.
No dia seguinte, Maria foi ao centro comercial fazer compras.
Escolheu cortinas bege com um leve padrão floral para a sala, um tapete macio cor de café com leite e várias almofadas decorativas. Na secção de loiça, gostou de um conjunto bonito de pratos com rebordo dourado e copos transparentes com gravação.
— Quanto custou tudo isto? — Roman rodou a etiqueta das cortinas nas mãos quando Maria voltou com os sacos.
— Vinte e três mil — a rapariga começou a tirar as compras dos sacos. — Comprei com o meu salário. Não te preocupes.
Maria trabalhava como assistente de um advogado numa pequena empresa e ganhava quarenta e cinco mil. Tinha o hábito de poupar dinheiro para dias difíceis, por isso as despesas com as coisas novas para o apartamento não afetaram o orçamento.
Roman acenou com a cabeça e ajudou a pendurar as cortinas.
Uma semana depois, a sala estava transformada.
As novas cortinas deixavam entrar uma luz suave, o tapete tornava o espaço mais acolhedor e as almofadas no sofá davam mais cor ao ambiente.
Maria comprou algumas molduras e colocou nelas fotografias dos dois, dela e do Roman. Sobre a mesa de centro colocou um jarro com crisântemos frescos.
Na cozinha, a rapariga pendurou novas prateleiras para os frascos de especiarias. Antes, Roman só tinha sal e pimenta em saquetas.
Agora havia curcuma, páprica, manjericão, orégãos e coentros. Maria comprou também utensílios de cerâmica — panelas, frigideiras e um tabuleiro para ir ao forno. As coisas antigas do noivo foram para a cave.
— Uau, és mesmo uma dona de casa profissional — Roman abraçou-a por trás enquanto ela organizava os frascos nas novas prateleiras. — A minha mãe vai ver isto e morrer de inveja.
Maria ficou tensa ao ouvir a referência à futura sogra. Nadejda Andreevna causava-lhe uma impressão estranha. Quando Roman levou a noiva para a apresentar pela primeira vez, a mulher recebeu-a friamente.
Observou a rapariga de alto a baixo, fez algumas perguntas sobre a família, o trabalho e a formação. Depois, acenou com a cabeça e disse que o chá estava pronto.
À mesa, Nadejda Andreevna falou pouco, limitando-se a inserir comentários curtos de vez em quando. Maria tentou puxar conversa com a sogra, perguntou-lhe sobre a infância de Roman e as tradições da família. A mulher respondia de forma seca, sem demonstrar interesse pela futura nora.
Roman encolhia os ombros, constrangido, como quem diz que a mãe era sempre assim e que não valia a pena ligar.
Nos encontros seguintes, a situação não melhorou. Nadejda Andreevna mantinha-se distante, como se estivesse a avaliar se Maria era adequada para o papel de esposa do filho. A rapariga sentia-se desconfortável sob o olhar atento da sogra, mas tentava não demonstrar.
O casamento foi celebrado num pequeno restaurante. Estavam presentes os pais de Maria, alguns amigos do noivo e da noiva e dois colegas de trabalho.
Nadejda Andreevna apareceu com um fato azul-escuro e o cabelo bem puxado num coque. Durante toda a cerimónia, manteve uma expressão impassível e só sorria quando alguém se dirigia diretamente a ela.
Maria apanhou por várias vezes o olhar pesado da sogra. Nadejda Andreevna olhava para a nora com uma expressão estranha — algo entre desconfiança e reprovação. A rapariga tentou atribuir isso ao nervosismo.
Provavelmente, para qualquer mãe é difícil deixar o filho seguir a sua própria vida.
Depois do casamento, os recém-casados viajaram por duas semanas para Antália. Roman sonhava há muito em mostrar a Turquia a Maria e reservou um quarto num bom hotel com vista para o mar.
Passeavam pelo passeio marítimo, nadavam na água quente e provavam a gastronomia local. Maria esqueceu-se de tudo — do trabalho, da sogra e dos problemas do dia a dia.
Existiam apenas eles os dois e o imenso mar azul.
— Estou tão feliz — confessou Masha certa noite, quando estavam sentados na varanda a ver o pôr do sol. — Nunca pensei que pudesse ser assim tão bom.
— Eu também — Roman beijou a mulher na têmpora. — Tu és a melhor coisa que me aconteceu.
Voltaram para casa descansados e satisfeitos. Roman regressou imediatamente ao trabalho, e Maria tirou mais três dias de férias. Queria desfazer as malas, lavar a roupa e arrumar a casa depois da ausência. O apartamento tinha acumulado pó e no frigorífico estavam restos de comida estragados.
A rapariga abriu as janelas para arejar e começou a limpar, com a música preferida um pouco mais alta. Lavou a roupa de cama, limpou os móveis e lavou o chão. Ao meio-dia, o apartamento voltava a parecer acolhedor e limpo.
Maria preparou chá e sentou-se no sofá com uma revista. Folheava as páginas, observando ideias de decoração para apartamentos pequenos.
Talvez valesse a pena colocar um papel de parede fotográfico? Ou comprar um espelho de chão para ampliar visualmente o espaço? Estava tão absorvida que não ouviu logo a campainha.
Abriu a porta — no limiar estava Nadejda Andreevna. A sogra parecia tão austera como no casamento. Casaco cinzento, lenço escuro, mala na mão. O rosto impassível, o olhar frio.
— Boa tarde, Nadejda Andreevna — Maria afastou-se para lhe dar passagem. — Entre, por favor.
— Olá — a sogra entrou no hall e tirou o casaco. — O Roman está em casa?
— Não, está no trabalho. Deve voltar por volta das oito.
— Entendo — Nadejda Andreevna pendurou o casaco no cabide e foi para a sala.
Maria apressou-se a segui-la. A mulher parou no meio da sala e começou a olhar em redor lentamente. O olhar deslizava pelas novas cortinas, demorava-se no tapete, analisava as almofadas no sofá. Nadejda Andreevna aproximou-se da janela, tocou no tecido das cortinas e fez uma careta.
— Foste tu que penduraste isto tudo? — perguntou, sem se virar.
— Sim, queria tornar a casa mais acolhedora — Maria mexia nervosamente na ponta da camisola. — Não gosta?
— Onde estão as cortinas antigas? As brancas, simples.
— Tirei-as, lavei-as e guardei-as no armário. Se quisermos, voltamos a colocá-las.
Nadejda Andreevna virou-se e olhou para a nora como se ela tivesse cometido um crime.
A mulher foi para a cozinha e Maria seguiu-a, arrastando-se. A sogra abriu os armários, observou os novos frascos de especiarias e pegou numa panela de cerâmica.
— E onde está a loiça antiga do Roman? — a voz soava gelada.
— Deitei fora — respondeu Maria em voz baixa. — Estava partida, comprei nova.
— Partida… — repetiu Nadejda Andreevna. — Entendo.
A sogra voltou à sala e sentou-se no sofá. Maria ficou à porta, sem saber o que fazer. Oferecer chá? Perguntar por que tinha vindo? Nadejda Andreevna permanecia em silêncio, a observar as fotografias sobre a mesa.
— Trouxe uma tarte — disse finalmente. — Está na mala. Põe no frigorífico.
— Muito obrigada — Maria pegou na mala da sogra e tirou de lá um recipiente com a tarte.
— Quando o Roman vivia aqui sozinho, o apartamento tinha estilo — disse Nadejda Andreevna em tom baixo, mas cada palavra soava perfeitamente clara. — Minimalismo, nada a mais. E agora transformou-se numa cabana de aldeia.
Maria ficou imóvel a meio caminho do frigorífico. O sangue subiu-lhe ao rosto e o coração começou a bater mais depressa.
Será que a sogra pensava mesmo aquilo?…

— Achei que era preciso dar mais aconchego — disse a rapariga, colocando o recipiente na prateleira. — O Roman não se opôs.
— O Roman nunca se opõe — sorriu com ironia Nadejda Andreevna. — É bom demais. E tu aproveitas-te disso.
— Eu não me aproveito — Maria voltou para a sala. — Estou apenas a organizar a nossa casa.
— Nossa… — arrastou a palavra a sogra. — É engraçado ouvir isso. O apartamento foi comprado com o dinheiro do Roman muito antes do vosso casamento. Tu aqui és apenas uma convidada.
Maria cerrou os punhos, as unhas cravaram-se nas palmas das mãos. Convidada? Era assim que se falava com a esposa do próprio filho?
— Eu sou a esposa do Roman — disse a rapariga com firmeza. — E esta casa também é minha.
— Veremos — Nadejda Andreevna levantou-se. — Diz ao Roman para me ligar. Precisamos de falar.
A sogra foi-se embora, e Maria deixou-se cair no sofá, envolvendo a cabeça com as mãos. As lágrimas escorriam-lhe pelas faces, mas a rapariga não soluçava.
Apenas estava sentada, tentando compreender o que tinha acontecido. Porque é que Nadejda Andreevna falava assim com ela? O que é que tinha feito de errado?
À noite, Roman voltou do trabalho bem-disposto. Beijou a esposa e perguntou como tinha sido o dia. Maria contou-lhe a visita da mãe, reproduzindo cuidadosamente as palavras da sogra. O marido franziu o sobrolho e esfregou a ponte do nariz.
— A mãe sempre foi muito direta — suspirou Roman. — Não ligues. Ela vai acabar por se habituar.
— Roma, ela chamou-me convidada — Maria olhou para o marido. — Disse que o apartamento não é meu.
— São só palavras — Roman abraçou a esposa. — O apartamento é nosso. Tu és a minha mulher, o resto não importa.
Maria queria acreditar. Encostou-se ao marido e fechou os olhos. Mas o amargo ficou. As palavras de Nadejda Andreevna ficaram como uma farpa cravada na alma.
Uma semana depois, a sogra voltou a aparecer. Desta vez avisou com antecedência: ligou e disse que passaria depois do almoço.
Maria fez um bolo e preparou chá fresco. Esperava que a primeira visita tivesse sido apenas um momento infeliz, que Nadejda Andreevna estivesse simplesmente cansada ou aborrecida com alguma coisa.
A sogra entrou no apartamento e lançou um olhar à entrada. Depois foi para a sala e sentou-se na poltrona. Maria serviu o chá e o bolo e tentou iniciar uma conversa descontraída.
— Como tem passado? A sua saúde está bem?
— Normal — respondeu secamente Nadejda Andreevna.
— E porque é que puseste flores nos parapeitos das janelas?
— Queria dar mais vida ao interior — Maria sorriu.
— Não acha bonito? As flores criam aconchego — acrescentou timidamente.
— Aconchego é quando está tudo limpo e arrumado. Não quando há trapos pendurados por todo o lado e florezinhas espetadas em cada canto.
Maria mordeu o lábio. Trapos? Nadejda Andreevna estava a chamar trapos às novas cortinas? A rapariga tinha gasto mais de dez mil nelas, escolhera durante muito tempo, procurara o tom certo.
— Nadejda Andreevna, parece-me que está a ser injusta — Maria endireitou-se. — Eu estou a tentar tornar o apartamento mais acolhedor. O Roman gosta.
— O Roman gosta de tudo o que tu fazes — a sogra bebeu um gole de chá. — Porque está apaixonado. Mas isso vai passar e, então, ficará a verdade nua e crua: estragaste o apartamento dele.
A rapariga levantou-se e foi para a cozinha, com o pretexto de ir buscar mais açúcar. Ficou ali, apoiada na bancada, a respirar fundo. Não chorar. Não mostrar fraqueza. Nadejda Andreevna queria claramente tirá-la do sério.
Quando Maria voltou à sala, a sogra já se preparava para sair. Vestiu o casaco, pegou na mala e, à despedida, atirou:
— Pensa no que eu disse. Talvez devolvas tudo ao que era antes. Enquanto ainda vais a tempo.
Depois dessa visita, Maria não conseguia encontrar sossego. Contou tudo a Roman, mas o marido voltou a desvalorizar.
Disse que a mãe apenas se preocupava por o filho se ter casado. Maria queria acreditar, mas, sempre que olhava para o apartamento renovado, lembrava-se das palavras da sogra.
A terceira visita de Nadejda Andreevna aconteceu três semanas depois. A mulher apareceu sem avisar, quando Maria estava a preparar o jantar. A rapariga abriu a porta de avental, com farinha nas mãos — estava a fazer pizza caseira.
— Boa tarde, entre — disse Maria, afastando-se.
A sogra entrou, pendurou o casaco e dirigiu-se à sala. Parou, observou o espaço. O rosto de Nadejda Andreevna contorceu-se numa careta de desagrado.
— Ficaste mesmo descarada — disse a mulher. — Deitaste fora a minha manta, penduraste fotografias, puseste flores por todo o lado. Achas que és a dona da casa?
— Eu sou a esposa do Roman — Maria limpou as mãos ao avental. — Claro que sou a dona da casa.
— Não — disse Nadejda Andreevna com dureza. — Tu és apenas a esposa. A dona aqui sou eu.
— O quê? — a rapariga ficou atónita. — A senhora não vive neste apartamento.
— Não importa. Este apartamento é do meu filho. Eu sou a mãe dele. E enquanto eu for viva, tu aqui não serás a dona da casa!
As palavras soaram como uma sentença. Maria ficou parada, sem conseguir acreditar. Nadejda Andreevna olhava para a nora com tal desprezo, como se ela fosse pó debaixo dos pés.
— A senhora não tem o direito de falar assim! — Maria sentiu tudo a ferver por dentro. — Esta é a nossa casa, minha e do Roman! Aqui a convidada é a senhora, não eu!
— Convidada? — a sogra sorriu com ironia. — Eu criei o Roman sozinha. Dei-lhe toda a minha alma.
Ajudei com o apartamento, dei dinheiro para as obras. E tu vieste apanhar tudo já feito!
— Eu não apanhei nada! — Maria cerrou os punhos. — O Roman comprou o apartamento sozinho, eu sei! E não vou ouvir mais os seus insultos!
— Insultos? — Nadejda Andreevna aproximou-se.
— Isto é a verdade. Infiltraste-te na vida do meu filho, enfeitaste-o com o teu encanto e agora estás a destruir tudo o que eu construí para ele!
— A senhora enlouqueceu! — a rapariga deu um passo atrás. — Eu amo o Roman! Nós somos marido e mulher!
— Por enquanto — rosnou a sogra. — Vamos ver quanto tempo isso dura.
Maria não aguentou mais. As lágrimas jorraram, as mãos começaram a tremer. A rapariga virou-se e correu para o quarto. Fechou a porta com força e atirou-se para a cama. O corpo era sacudido por soluços — era impossível parar.
Nadejda Andreevna ficou na sala. Maria ouvia a mulher a andar pela casa, a abrir armários, a mexer em coisas. Depois, a porta de entrada bateu — a sogra foi-se embora.
A rapariga pegou no telemóvel com as mãos trémulas e marcou o número de Roman. O marido não atendeu de imediato; ao fundo ouviam-se vozes de colegas.
— Masha, o que aconteceu? — a voz dele soava preocupada.
— A tua mãe… — Maria soluçou. — Ela esteve aqui. Insultou-me. Disse que eu não sou a dona da casa. Que enquanto ela for viva, eu não sou ninguém nesta casa.
— O quê? — Roman ficou em silêncio. — Onde é que ela está agora?
— Já foi embora. Roma, vem, por favor. Estou muito mal.
— Vou já para aí. Aguenta.
Maria desligou e tapou o rosto com as mãos. O que é que estava a acontecer? Porque é que Nadejda Andreevna a odiava tanto? A rapariga não tinha feito nada de mal — apenas tentara criar um lar acolhedor para a família.
Roman chegou quarenta minutos depois. Correu para a esposa, abraçou-a, fez-lhe festas na cabeça. Maria, entre lágrimas, contou-lhe tudo sobre a visita da mãe, repetindo cada palavra da sogra. O marido escutava, e o rosto tornava-se cada vez mais duro.
— Ela disse mesmo isso? — perguntou Roman em voz baixa. — Que tu não és a dona da casa?
— Sim — soluçou Maria. — E que eu destruo tudo o que ela construiu. E que me infiltrei na tua vida.
Roman levantou-se, pegou no telemóvel e ligou para a mãe. Maria ouviu o sinal de chamada e depois a voz de Nadejda Andreevna.
— Mãe, preciso de falar contigo. Volta para cá. Agora mesmo.
Do outro lado responderam qualquer coisa. Roman fez uma careta.
— Não importa o que estejas a fazer. Vem imediatamente. Ou então vou eu aí.
Ele desligou e sentou-se ao lado da esposa. Abraçou-a pelos ombros e deu-lhe um beijo.
— Vai correr tudo bem — prometeu Roman. — Eu trato disto.
Nadejda Andreevna apareceu meia hora depois. Entrou no apartamento com um ar independente, tirou o casaco. Roman encontrou a mãe na sala e, com um gesto, apontou para o sofá.
— Senta-te, mãe.
— O que foi que aconteceu? — perguntou ela, sentando-se e pousando a mala ao lado.
— Insultaste a minha mulher — disse Roman com firmeza. — Disseste que ela não é a dona da minha casa. É verdade?
— Eu disse a verdade — Nadejda Andreevna levantou o queixo. — Essa rapariga transformou o teu apartamento numa miséria. Pendura trapos, põe florezinhas por todo o lado. Achas que eu vou ficar calada?
— Mãe, ela é a minha mulher — Roman sentou-se em frente dela. — A Maria tem todo o direito de organizar a nossa casa como bem entender.
— A nossa casa… — imitou a mãe, com desprezo. — Foste tu que compraste este apartamento com o teu dinheiro. Ela só veio apanhar tudo feito.
— E então? — o marido franziu o sobrolho. — Somos casados. Agora o apartamento é nosso.
— Não — cortou Nadejda Andreevna. — O apartamento é teu. E essa pessoa apenas vive aqui temporariamente.
Roman levantou-se e deu alguns passos pela sala. Parou junto à janela e depois virou-se bruscamente.
— Mãe, peço-te que não voltes a vir aqui se a tua intenção for magoar a Maria.
— O quê? — a mulher levantou-se de um salto. — Estás a expulsar a tua própria mãe?!
— Estou a pedir que respeites a minha mulher — respondeu Roman com calma. — A Maria não fez nada de errado. Apenas organizou a casa ao seu gosto. Eu gosto. Nós gostamos. E a tua opinião, aqui, não é relevante.
— Como não é relevante?! — Nadejda Andreevna levou a mão ao peito. — Eu sou a tua mãe! Fui eu que te criei sozinha!
— E eu sou-te grato por isso — Roman aproximou-se. — Mas agora a minha família é a Maria. E, se não consegues aceitar isso, é melhor não vires.

— Tornaste-te num marioneta da mulher! — gritou a sogra.
— Essa rapariga fez de ti um trapo! Estás a trocar-me por ela!
— Não estou a trocar ninguém. Estou apenas a definir prioridades. A Maria é a minha esposa. Tu és a minha mãe. Mas não vou permitir que ninguém ofenda a minha mulher. Nem sequer tu.
Nadejda Andreevna agarrou na mala e vestiu o casaco ali mesmo, na sala. O rosto estava deformado pela raiva e pela humilhação.
— Vais arrepender-te! — sibilou a mulher. — Ela vai usar-te! Vai deitar-te fora quando te cansares!
— Isso é um problema meu — disse Roman, abrindo a porta. — Adeus, mãe.
A sogra saiu a correr do apartamento, batendo a porta com tanta força que os vidros estremeceram. Roman encostou-se à parede e fechou os olhos. Maria saiu do quarto e aproximou-se do marido.
— Obrigada — disse a esposa em voz baixa.
— Desculpa não ter resolvido isto mais cedo — Roman abraçou-a. — Não pensei que a minha mãe fosse capaz de se comportar assim.
— Ela vai acalmar-se?
— Não sei — respondeu ele honestamente. — Mas isso já não é o mais importante. O principal é que tu estejas bem. Aqui, na nossa casa.
Maria encostou-se a Roman, ouvindo o bater do seu coração. O conflito com a sogra tinha ficado para trás, mas havia um peso no peito. Nadejda Andreevna dificilmente perdoaria aquilo. Mesmo assim, a rapariga decidiu não pensar nisso. Agora, o mais importante era devolver a tranquilidade ao lar.
Os dias seguintes passaram tranquilamente. Roman trabalhava muito, e Maria também regressou às suas rotinas. À noite, jantavam juntos, viam filmes e falavam sobre planos para o futuro.
O apartamento tinha-se tornado realmente mais acolhedor — as novas cortinas, as flores nos parapeitos das janelas e as fotografias de família criavam uma atmosfera de calor e conforto.
Nadejda Andreevna não ligava.
Roman tentou várias vezes contactar a mãe, mas ela não atendia. Duas semanas depois, a sogra finalmente atendeu. A conversa foi curta e tensa. Nadejda Andreevna perguntou secamente pela saúde do filho, mas não mencionou Maria uma única vez.
Maria compreendia que a relação com a sogra estava estragada por muito tempo. Talvez para sempre. Mas não se arrependia do que tinha acontecido. Roman tinha ficado do seu lado, mostrara que a família era mais importante para ele do que as ambições da mãe. E isso valia muito.
Um mês depois, Maria comprou mais alguns elementos decorativos — um relógio de parede, um candeeiro de pé e uma manta macia para o sofá.
O apartamento tornava-se cada vez mais vivido e com verdadeiro ar de lar. Roman participava com gosto na organização, ajudava a escolher móveis e a pendurar prateleiras.
Numa noite, os dois estavam sentados no sofá, cobertos com a nova manta. Lá fora chovia, e o candeeiro de pé iluminava suavemente a sala. Maria pousou a cabeça no ombro do marido e suspirou.
— Sabes, eu pensei que o conflito com a tua mãe fosse destruir o nosso casamento — confessou.
— Tinha medo que tu a escolhesses a ela.
— Eu escolhi-te a ti — Roman beijou-a na testa. — E não me arrependi nem por um segundo.
— E a Nadejda Andreevna?
— A mãe, com o tempo, vai perceber. Ou não vai. É a escolha dela. Mas a nossa vida é mais importante do que as mágoas dela.
Maria sorriu e abraçou o marido com mais força. O apartamento já não lhe parecia estranho. Era a casa deles, o espaço deles, a vida deles. E nenhuma palavra da sogra podia mudar isso.